
Andei sumida nas últimas duas semanas. É que o clima seco e ameno fez com que baixasse a artesã em mim e eu passei meus dias trancada no atelier transformando algumas coisinhas. Venho de uma família italiana daquelas que não joga nada fora. Passei minha vida vendo meus pais guardarem tudo, eram ecológicos muito antes dessa onda de conscientização que está por aí. Eu odiava essa mania deles de reaproveitar tudo.Por que tudo girava em torno do sentido de economia, mas eles não transformavam as coisas. Reutilizavam-nas de qualquer jeito, ou simplesmente as amontoavam desorganizadamente, transformando nossa casa num pequeno depósito de quinquilharias.Meu gosto pelo belo repudiava essa atitude. Quando tornei-me independente, confesso que passei a a ser adepta do consumismo, meio que só por rebeldia. Porém, a economia está no sangue e, quando começaram esses movimentos ecológicos, algo dentro de mim acendeu e me senti em casa. Agora assumi. Adoro reutilizar tudo o que posso. Guardo desde um botão até pedaços de móveis que já descartei. Aliás, o material que mais me fascina é a madeira. Mas não madeira nova. Tem de ser velha, muito usada mesmo. Fico vasculhando técnicas de artesanato de reciclagem e uso minhas habilidades manuais para transformar tudo o que iria ser descartado. E, ao invés de ajuntar quinquilharias, transformo-as em objetos, senão tão úteis, ao menos, belos.Eis algumas coisinhas que fiz.Minha cama de casal transformou-se nesse móvel para a sala.